Aprendi a fazer passarinhos de papel.
Vou fazer mil.
E vou pedir um desejo...
...ser pássaro. De papel também.
(amo-te)*
*Mó
quinta-feira, setembro 28, 2006
terça-feira, setembro 12, 2006
"The sweetest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return."
Eu ainda me acredito em cartas de amor, meu amor.
Continuo persistente nesta vontade de travar caminhos de ternura e declarações sinceras.
É noite agora. A televisão ligada murmura coisas que não me interessam ouvir.
É noite agora e tu dormes. queria ter a tua mão nos meus dedos e os teus gestos na minha pele.
Queria que me sentisses a adormecer-te com os lábios nos teus olhos e com o peito atado ao teu, em forma de coração.
Queria que me ouvisses.
Agora que é de noite invento histórias.
Já me vou sentindo demasiado princesa real, duma realidade que foi história que um dia se absorveu, e continuo a imaginar-te encantado, desta vez adormecido, cansado.
E para te acompanhar, invento anjos.
Muitos anjos.
De todas as cores do mundo.
Com todos os sorrisos do mundo.
Todos para ti.
Visto máscaras com asas (como aquelas que quero num vestido de seda e que tanto te fizeram troçar de mim...), pinto o corpo de branco e voo até ti, agora que sei a tua morada.
Entro pela tua fechadura, agora que sei a tua porta e entro no teu quarto num sopro de frio.
Vejo-te arrepiar e cirandeio os contornos da tua alma .
Fico assim, a proteger o teu sono com dezenas de anjos perto de mim, que me ajudam a proteger-te.
Ficas pequenino assim.
Mexes-te enquanto sonhas e vou-te falando ao ouvido em sussuros que te pertencem, que são só teus... (amo-te).
Eu ainda me acredito em serenatas à janela.
Em declarações eternas, que ecoam para sempre.
Em loucuras, e destinos, e mãos dadas.
E é quando te vejo a dormir que sei que tem corpo e cheiro aquilo em que acredito.
É quando me acordas que sonho de olhos abertos.
Acredito em verdades. E vontades. Em momentos que não têm dívida ao encanto porque são dádivas reais de encantamentos.
Acredito que vale a pena se frágil de vez em quando para se protegida.
Ser forte de vez em quando para poder proteger.
E acredito que me dizes com os teus lábios cerrados nos meus o que eu te digo nesta folha.
Acredito que vou sabendo ler nas entrelinhas do que não escreves aquilo que queres dizer.
Sei que é patético descrever patéticos estados de espírito, que chega a soar piegas gostar e insistir que se gosta.
Mas é noite.
E tu dormes.
E eu sinto saudades tuas.
É noite e há sempre tanto para te contar.
É noite e eu ainda me acredito em cartas.
De amor.
*Mó
10.09.06
Eu ainda me acredito em cartas de amor, meu amor.
Continuo persistente nesta vontade de travar caminhos de ternura e declarações sinceras.
É noite agora. A televisão ligada murmura coisas que não me interessam ouvir.
É noite agora e tu dormes. queria ter a tua mão nos meus dedos e os teus gestos na minha pele.
Queria que me sentisses a adormecer-te com os lábios nos teus olhos e com o peito atado ao teu, em forma de coração.
Queria que me ouvisses.
Agora que é de noite invento histórias.
Já me vou sentindo demasiado princesa real, duma realidade que foi história que um dia se absorveu, e continuo a imaginar-te encantado, desta vez adormecido, cansado.
E para te acompanhar, invento anjos.
Muitos anjos.
De todas as cores do mundo.
Com todos os sorrisos do mundo.
Todos para ti.
Visto máscaras com asas (como aquelas que quero num vestido de seda e que tanto te fizeram troçar de mim...), pinto o corpo de branco e voo até ti, agora que sei a tua morada.
Entro pela tua fechadura, agora que sei a tua porta e entro no teu quarto num sopro de frio.
Vejo-te arrepiar e cirandeio os contornos da tua alma .
Fico assim, a proteger o teu sono com dezenas de anjos perto de mim, que me ajudam a proteger-te.
Ficas pequenino assim.
Mexes-te enquanto sonhas e vou-te falando ao ouvido em sussuros que te pertencem, que são só teus... (amo-te).
Eu ainda me acredito em serenatas à janela.
Em declarações eternas, que ecoam para sempre.
Em loucuras, e destinos, e mãos dadas.
E é quando te vejo a dormir que sei que tem corpo e cheiro aquilo em que acredito.
É quando me acordas que sonho de olhos abertos.
Acredito em verdades. E vontades. Em momentos que não têm dívida ao encanto porque são dádivas reais de encantamentos.
Acredito que vale a pena se frágil de vez em quando para se protegida.
Ser forte de vez em quando para poder proteger.
E acredito que me dizes com os teus lábios cerrados nos meus o que eu te digo nesta folha.
Acredito que vou sabendo ler nas entrelinhas do que não escreves aquilo que queres dizer.
Sei que é patético descrever patéticos estados de espírito, que chega a soar piegas gostar e insistir que se gosta.
Mas é noite.
E tu dormes.
E eu sinto saudades tuas.
É noite e há sempre tanto para te contar.
É noite e eu ainda me acredito em cartas.
De amor.
*Mó
10.09.06
quinta-feira, agosto 31, 2006
Vou contar tudo a toda a gente.
Que me poisas a perna por cima das minhas pernas quando adormeces, que me embalas com segredos e que me dizes que não tens assim tanto sono.
Vou contar que dizes o meu nome enquanto dormes, que me acordas com a força dos teus olhos no meu rosto, que me abraças até sentires que algum pedaço da minha alma é mais teu.
Vou contar que me assobias e que eu sorrio.
Que me chamas e eu finjo que não te ouço só para ver dos teus labios o meu nome outra vez.
Que me amas.

Vou contar a todos que tens "trinta mil cavalos a galopar no peito" e que a tua casa tem cheiro de acúcar.
E todos vão saber onde vives.
Porque a morada dos Sonhos fica dentro do meu coração.
*Mó
"O meu amor ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes ensinou-me
a não esuqecer que o meu amor existe..."
Jorge Palma
Que me poisas a perna por cima das minhas pernas quando adormeces, que me embalas com segredos e que me dizes que não tens assim tanto sono.
Vou contar que dizes o meu nome enquanto dormes, que me acordas com a força dos teus olhos no meu rosto, que me abraças até sentires que algum pedaço da minha alma é mais teu.
Vou contar que me assobias e que eu sorrio.
Que me chamas e eu finjo que não te ouço só para ver dos teus labios o meu nome outra vez.
Que me amas.

Vou contar a todos que tens "trinta mil cavalos a galopar no peito" e que a tua casa tem cheiro de acúcar.
E todos vão saber onde vives.
Porque a morada dos Sonhos fica dentro do meu coração.
*Mó
"O meu amor ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes ensinou-me
a não esuqecer que o meu amor existe..."
Jorge Palma
domingo, agosto 20, 2006
sexta-feira, agosto 18, 2006
Existe em algum sítio deste mundo (ou de outro mundo como este mas em que as pessoas têm alma a sério) um sol, um mar, um prado e um caos.
Nesse sítio existem 3 torres muito altas e dentro de cada torre existe uma princesa que repousa em leitos de jasmim e pétalas de rosa.
Cada princesa, antes de dormir, penteia os cabelos e desenha entre os dedos uma trança encantada.
Pintam os lábios com manteiga de amendoim.
A primeira perfuma-se de margaridas. A segunda tem travo a mel. A da terceira torre espalha pelos poros doce de leite com abacate.
Perfumam-se atrás das orelhas e nos pulsos.
Um príncipe viajante, todas as noites, pouco antes da alvorada, ergue na sombra um espadachim de prata e corre a rumo incerto.
Circunda as 3 torres, sente os aromas e guarda as garras no coração.
Volta ao porto de partida e regressa na noite seguinte.
Todas as noites volta e todas as noites parte.
Nunca lhe viram o rosto e dizem que não sabe por onde vai.
Dentro das 3 torres donzelas inventam dormir. Sonham acordadas desde o primeiro galope que ouvem desse luar que desconhecem ainda.
Ele sabe que não pode decidir pelo tamanho da torre, nem pelo aroma da pele, nem pela cor dos cabelos que cada uma lançou pela janela ainda raiava o sol, na esperança de o arrebatar antes da aurora.
Não pode escolher a torre pela vista que julga ter, nem pelo número de ameias partidas.
Ele sabe o que quer.
Para onde vai.
Sabe que não vai passar os dias de torre em torre, porque o corpo tem cansaços e a alma encontros eternos.
Ele sabe que encontrou.
Um dia, ainda não era noite cerrada, passeou-se desmascarado.
Vestiu-se de trapos e sentou-se num cavalo.
Não olhou mais nada. Não quis saber se lá em cima vislumbraria um prado encantado, um mar infinito ou um caos indefinido. Não pensou. Não foi preciso pensar.
Ela tinha a trança lançada, como se um anjo lhe tivesse contado que o ouviu a ouvir o coração.
Ela tinha olhos de ameixa e pó de ouro na trança.
Ele subiu e ficou sarapintado.
A torre não tinha tecto.
As paredes tinham frinchas entre as alvenarias.
Viu o céu todas as noites. O mar infinito todas as manhãs. O caos todas as vezes que o indefinido existiu.
Viu o sol pôr-se e a aurora erguer-se.
Calejou-se dum aroma só, cravado de ouro no peito, no lugar do coração.
E não voltou a descer.
Quando se chega tão alto não se cortam as asas.

"Com um brilhozinho nos olhos e saia dourada escancaraste a porta do bar, trazias o cabelo aos ombros passeando de cá para lá como as ondas do mar, conheço tão bem esses olhos..."
Sérgio Godinho
imagem em: http://oblogdalibelua2.blogs.sapo.pt/arquivo/cavaleiro-sedutor.jpg
Nesse sítio existem 3 torres muito altas e dentro de cada torre existe uma princesa que repousa em leitos de jasmim e pétalas de rosa.
Cada princesa, antes de dormir, penteia os cabelos e desenha entre os dedos uma trança encantada.
Pintam os lábios com manteiga de amendoim.
A primeira perfuma-se de margaridas. A segunda tem travo a mel. A da terceira torre espalha pelos poros doce de leite com abacate.
Perfumam-se atrás das orelhas e nos pulsos.
Um príncipe viajante, todas as noites, pouco antes da alvorada, ergue na sombra um espadachim de prata e corre a rumo incerto.
Circunda as 3 torres, sente os aromas e guarda as garras no coração.
Volta ao porto de partida e regressa na noite seguinte.
Todas as noites volta e todas as noites parte.
Nunca lhe viram o rosto e dizem que não sabe por onde vai.
Dentro das 3 torres donzelas inventam dormir. Sonham acordadas desde o primeiro galope que ouvem desse luar que desconhecem ainda.
Ele sabe que não pode decidir pelo tamanho da torre, nem pelo aroma da pele, nem pela cor dos cabelos que cada uma lançou pela janela ainda raiava o sol, na esperança de o arrebatar antes da aurora.
Não pode escolher a torre pela vista que julga ter, nem pelo número de ameias partidas.
Ele sabe o que quer.
Para onde vai.
Sabe que não vai passar os dias de torre em torre, porque o corpo tem cansaços e a alma encontros eternos.
Ele sabe que encontrou.
Um dia, ainda não era noite cerrada, passeou-se desmascarado.
Vestiu-se de trapos e sentou-se num cavalo.
Não olhou mais nada. Não quis saber se lá em cima vislumbraria um prado encantado, um mar infinito ou um caos indefinido. Não pensou. Não foi preciso pensar.
Ela tinha a trança lançada, como se um anjo lhe tivesse contado que o ouviu a ouvir o coração.
Ela tinha olhos de ameixa e pó de ouro na trança.
Ele subiu e ficou sarapintado.
A torre não tinha tecto.
As paredes tinham frinchas entre as alvenarias.
Viu o céu todas as noites. O mar infinito todas as manhãs. O caos todas as vezes que o indefinido existiu.
Viu o sol pôr-se e a aurora erguer-se.
Calejou-se dum aroma só, cravado de ouro no peito, no lugar do coração.
E não voltou a descer.
Quando se chega tão alto não se cortam as asas.

"Com um brilhozinho nos olhos e saia dourada escancaraste a porta do bar, trazias o cabelo aos ombros passeando de cá para lá como as ondas do mar, conheço tão bem esses olhos..."
Sérgio Godinho
imagem em: http://oblogdalibelua2.blogs.sapo.pt/arquivo/cavaleiro-sedutor.jpg
terça-feira, agosto 15, 2006
sábado, julho 22, 2006
Existem por aí muitos sóis por nascer. Conheço alguns que por medo ou ignorância extrema se recusam afincadamente a sorrir aos dias que passam e a louvar pelos que ainda hão de vir. Existem muitos cobardes, de capas camufladas e gárgolas no lugar das cabeças, sem torções de expressão ou qualquer tipo de contra-petrificação que os amoleça e os faça mais reais.
Existem desperdíçios de vida. Aqueles pobres de espírito que não são capazes de identificar um nenúfar no meio de um oceano. É tudo igual, tudo fácil, dizem eles.
E não dizem nada porque não sabem nada nem são nada. Não querem ser nada porque sabem muitas vezes que ao serem qualquer coisa o seriam da forma mais cruel de todas.
Existem pessoas más. Muito más. Que se elevam aos picos da arrogância cada vez que conseguem mais um segundo de espezinhamento, mais um único dia de sombras. Pessoas que não gostam do sol porque é quente, não gostam da chuva porque molha, não gostam do vento porque despenteia.
Não gostam deles.
Nem gostam de mim.
Porque sou filha do sol, como todas as luzes, sou amante da chuva em dias torrenciais, como todos os apaixonados, sou parte do vento, como todas as aves.
E sou tua, como toda a felicidade.
(Adoro a forma como a loucura as vezes me arranca os silêncios e me faz espreguiçar durante todo o dia. Tenho os olhos ainda colados de sono e a janela aberta belisca-me as pestanas.)
*Mó

Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
J. Palma - acorda menina linda.
foto (link):
http://i18.photobucket.com/albums/b118/leodegundia/BALLET.jpg
Existem desperdíçios de vida. Aqueles pobres de espírito que não são capazes de identificar um nenúfar no meio de um oceano. É tudo igual, tudo fácil, dizem eles.
E não dizem nada porque não sabem nada nem são nada. Não querem ser nada porque sabem muitas vezes que ao serem qualquer coisa o seriam da forma mais cruel de todas.
Existem pessoas más. Muito más. Que se elevam aos picos da arrogância cada vez que conseguem mais um segundo de espezinhamento, mais um único dia de sombras. Pessoas que não gostam do sol porque é quente, não gostam da chuva porque molha, não gostam do vento porque despenteia.
Não gostam deles.
Nem gostam de mim.
Porque sou filha do sol, como todas as luzes, sou amante da chuva em dias torrenciais, como todos os apaixonados, sou parte do vento, como todas as aves.
E sou tua, como toda a felicidade.
(Adoro a forma como a loucura as vezes me arranca os silêncios e me faz espreguiçar durante todo o dia. Tenho os olhos ainda colados de sono e a janela aberta belisca-me as pestanas.)
*Mó

Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
J. Palma - acorda menina linda.
foto (link):
http://i18.photobucket.com/albums/b118/leodegundia/BALLET.jpg
sexta-feira, julho 07, 2006
Parece que querem torcer o sentido dos rios e até me vieram contar que é provável que o sol passe a nascer de noite e a lua amanheça todos os dias. Fecham as portas de dentro e de fora como se pudessem fechar os ventos e guardá-los para sempre em cada pedaço de ar onde o enclausuram.
Não dormem mais.
Se respiram fazem barulho, e quando não respiram, choram.
Não sabias?
São filhos de anjos também, e querem que as flores crescam todos os dias, que o vento exista em todos os lugares, que o sol ilumine as noites. Querem estar sempre acordados para nos verem adormecidos juntos e para inventarem atrás de nós cenários surreais.
Querem amar como nós e por isso nos seguem por todo o lado. Querem saber como se esconde um beijo atrás dum sorriso e como se chora porque se tem saudade mesmo quando se está tão perto.
Mas não nos querem a nós. Querem o que existe entre nós como se fossem aves de rapina à espreita para nos roubar o que nos faz tão especiais.

Espiam-nos, envolvem-nos com mistérios e pecados que não escolhemos viver.
Matam-nos.
E levam o que fez com que fossemos nós.
Já não temos silêncios, nem paz, nem sol para acordar. Já não temos sorrisos, nem beijos, nem tesouros para sonhar.
Já não nos temos sozinhos.
Os dois, sem o mundo inteiro.
E eles continuam à espreita, abutres que sugam o que vai ainda restando de nós.
Queria de nós só o que nós queríamos.
E eles não entravam, não faziam parte.
Não sonham, não amam, e não nos deixam amar.
(por mais que corramos a enfrentar uma escarpa, acabamos por caír. Eu não queria largar-te a mão).
*Mó
Why does my heart
Skip a crazy beat?
For I know
It will reach defeat
Tell me why
Tell me why
Why do fools fall in love?
Tell me why
Tell me why
(Why Do Fools Fall In Love? - Frankie Lymon)
imagem: Gustav Klimt - Love
Não dormem mais.
Se respiram fazem barulho, e quando não respiram, choram.
Não sabias?
São filhos de anjos também, e querem que as flores crescam todos os dias, que o vento exista em todos os lugares, que o sol ilumine as noites. Querem estar sempre acordados para nos verem adormecidos juntos e para inventarem atrás de nós cenários surreais.
Querem amar como nós e por isso nos seguem por todo o lado. Querem saber como se esconde um beijo atrás dum sorriso e como se chora porque se tem saudade mesmo quando se está tão perto.
Mas não nos querem a nós. Querem o que existe entre nós como se fossem aves de rapina à espreita para nos roubar o que nos faz tão especiais.

Espiam-nos, envolvem-nos com mistérios e pecados que não escolhemos viver.
Matam-nos.
E levam o que fez com que fossemos nós.
Já não temos silêncios, nem paz, nem sol para acordar. Já não temos sorrisos, nem beijos, nem tesouros para sonhar.
Já não nos temos sozinhos.
Os dois, sem o mundo inteiro.
E eles continuam à espreita, abutres que sugam o que vai ainda restando de nós.
Queria de nós só o que nós queríamos.
E eles não entravam, não faziam parte.
Não sonham, não amam, e não nos deixam amar.
(por mais que corramos a enfrentar uma escarpa, acabamos por caír. Eu não queria largar-te a mão).
*Mó
Why does my heart
Skip a crazy beat?
For I know
It will reach defeat
Tell me why
Tell me why
Why do fools fall in love?
Tell me why
Tell me why
(Why Do Fools Fall In Love? - Frankie Lymon)
imagem: Gustav Klimt - Love
sexta-feira, junho 30, 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
Andavas por aqui à tanto tempo. Enfiado dentro duma máscara que te tornou parte dum mobiliário que eu via sem notar, todos os dias.
Caíam as folhagens no outono, crescia e morria a luz nos dias de sol, e as horas passavam ao ritmo de quem vai sabendo saborear cada parcela do céu. Asc oisas aconteciam á minha volta, iam existindo personagens que se evaporavam, e que davam lugar a outras, que se evaporavam também. Tu ias atravessando os meus lugares, mascarado, sem me dizeres que andavas por aí.
Eu vi-te, confesso. E ia-te parcebendo nos passos e no som das chaves na tua mão. Sabia que vinhas, mas não me tremiam as pernas.
Trocámos de vozes e de cheiros e inventámos motivos para bracejar juntos.

Em frente ao mar, entre uma muralha de gaivotas e uma tempestade de grãos de areia, escondemo-nos um no outro. Abraçaste-me como se me dissesses que o vento não me ia levar de ti. Como se soubesses que o vento me empurrava até ti, cada vez mais perto. Como se nos tivessemos visto em duplicado, nos olhos um do outro, como se nos tivéssemos ouvido perto do pescoço um do outro, como se nos tivéssemos falado, nos lábios um do outro.
E afinal sempre estiveste aqui tão perto. E eu andava distraída com personagens evaporadas.
Agora o ritmo dos teus passos acelera-me a pulsação, e o som das chaves na tua mão desatam as correias da conchinha onde me escondi.
Sei que andas por aqui, que vens sempre, e isso agora faz-me as pernas tremer...
(eu ando pelo mundo prestando atenção a cores que eu não sei o nome...)
*Mó
foto: www.heartgallery.ch/ cms/dyn_media/pressroom
Caíam as folhagens no outono, crescia e morria a luz nos dias de sol, e as horas passavam ao ritmo de quem vai sabendo saborear cada parcela do céu. Asc oisas aconteciam á minha volta, iam existindo personagens que se evaporavam, e que davam lugar a outras, que se evaporavam também. Tu ias atravessando os meus lugares, mascarado, sem me dizeres que andavas por aí.
Eu vi-te, confesso. E ia-te parcebendo nos passos e no som das chaves na tua mão. Sabia que vinhas, mas não me tremiam as pernas.
Trocámos de vozes e de cheiros e inventámos motivos para bracejar juntos.

Em frente ao mar, entre uma muralha de gaivotas e uma tempestade de grãos de areia, escondemo-nos um no outro. Abraçaste-me como se me dissesses que o vento não me ia levar de ti. Como se soubesses que o vento me empurrava até ti, cada vez mais perto. Como se nos tivessemos visto em duplicado, nos olhos um do outro, como se nos tivéssemos ouvido perto do pescoço um do outro, como se nos tivéssemos falado, nos lábios um do outro.
E afinal sempre estiveste aqui tão perto. E eu andava distraída com personagens evaporadas.
Agora o ritmo dos teus passos acelera-me a pulsação, e o som das chaves na tua mão desatam as correias da conchinha onde me escondi.
Sei que andas por aqui, que vens sempre, e isso agora faz-me as pernas tremer...
(eu ando pelo mundo prestando atenção a cores que eu não sei o nome...)
*Mó
foto: www.heartgallery.ch/ cms/dyn_media/pressroom
domingo, junho 11, 2006
Quero-te convencer que somos pó colado numa esfera muito grande.
Que um dia vem vento e somos atirados para outro sítio qualquer onde talvez não nos ensinem a respirar.
Quero que oiças de mim que não há fim para nada porque tudo é fim em si mesmo - as coisas só existem porque não existem sempre, é essa a diferença entre ser e estar - o existir num espaço de tempo mais ou menos definido.
Quero que, por um dia apenas, te apercebas que não sabes o que és, e que ninguém sabe.
Que sejas parte dum nada homogéneo, como são todas as estrelas dum céu bem iluminado. As estrelas não estão todas à mesma distância, como nós, que somos dispostos em lugares com magias distintas, mas no fim só brilhamos em conjunto.
Quero muito exigir que não olhes, que vejas.
Quero que seduzas sempre,
que te apaixones sempre,
que te encantes,
que te sintas de cores diferentes e de luzes diferentes, dentro do mesmo céu.

Quero muito que sejas água. E fogo. E terra. E ar.
E que a água que sejas seja simples assim: H2O...
porque até o primeiro elemento é resultado duma dupla de átomos. Como tu, como eu, como todos...
(és sítio onde as mãos se dão)...
11.06.06
Mó*
Que um dia vem vento e somos atirados para outro sítio qualquer onde talvez não nos ensinem a respirar.
Quero que oiças de mim que não há fim para nada porque tudo é fim em si mesmo - as coisas só existem porque não existem sempre, é essa a diferença entre ser e estar - o existir num espaço de tempo mais ou menos definido.
Quero que, por um dia apenas, te apercebas que não sabes o que és, e que ninguém sabe.
Que sejas parte dum nada homogéneo, como são todas as estrelas dum céu bem iluminado. As estrelas não estão todas à mesma distância, como nós, que somos dispostos em lugares com magias distintas, mas no fim só brilhamos em conjunto.
Quero muito exigir que não olhes, que vejas.
Quero que seduzas sempre,
que te apaixones sempre,
que te encantes,
que te sintas de cores diferentes e de luzes diferentes, dentro do mesmo céu.

Quero muito que sejas água. E fogo. E terra. E ar.
E que a água que sejas seja simples assim: H2O...
porque até o primeiro elemento é resultado duma dupla de átomos. Como tu, como eu, como todos...
(és sítio onde as mãos se dão)...
11.06.06
Mó*
sexta-feira, maio 26, 2006
(cast)elos de pó
Agitei os braços com muita força para ver se conseguia voar. Por pouco não fiquei sem articulações.

(dentro da concha ainda se ouve o mar, gaivota?)
Mó*
(Wake... from your sleep
The drying of your tears
Today.. we escape
We escape.
Pack and get dressed
Before your father hears us
Before.. all hell.. breaks loose.
Breathe... keep breathing
Don't lose.. your nerve.
Breathe... keep breathing
I can't do this.. alone.
Sing us a song
A song to keep us warm)
Radiohead - Exit music (for a film)

(dentro da concha ainda se ouve o mar, gaivota?)
Mó*
(Wake... from your sleep
The drying of your tears
Today.. we escape
We escape.
Pack and get dressed
Before your father hears us
Before.. all hell.. breaks loose.
Breathe... keep breathing
Don't lose.. your nerve.
Breathe... keep breathing
I can't do this.. alone.
Sing us a song
A song to keep us warm)
Radiohead - Exit music (for a film)
terça-feira, maio 23, 2006
Tenho 30 minutos e meio para encher esta folha.
Quero fazer dos meus dedos peregrinos de um pleonasmo de vidas banais e habituar-me à ideia de ficar descalça sem ver o sol a nascer.
As vontades também são contagens decrescentes no relógio dos encantos, como são sempre segundos finais todos aqueles que antecedem uma vida eterna. Tudo em contra-relógio, menos eu, que vou tendo só 28 minutos para dizer o que penso sem sentir o que digo.
Magoa-me. Magoa-me muito não ter pêndulos na alma, como quem tem relógios nos pulsos.
Descalça, o chão é mais quente e as mãos mais pesadas, a gravidade é membro de paz e viaja em mim como se fosse ela mesma uma peregrina do que devo ser. Do que não sou.
Perco-me pelos caminhos e páro em portagens com retornos em contra-mão - regresso quase sempre e trago às costas mais vértebras que, ao fazerem com que eu cresça também destroem o equilíbrio vertical da minha postura inicial. Vou tombando, mas debruçada para trás, até ficar em ponte, virada para cima e de olhos abertos, para depois, no fim dos voos todos, descansar deitada e de olhos fechados.
Fico realmente chateada quando me acontecem desiquilíbrios assim. Tenho pouco menos de 25 minutos para preencher as linhas que me faltam e já existiu o meu "grand final" no parágrafo anterior. Não meço o tamanho dos espaços antes de trepar aos seus limites e depois canso-me...páro, recomeço e acabo por não chegar a lado nenhum - caminhar é o lugar final.
Mais dois ou três vocábulos, mais uma ou duas linhas e volta tudo ao normal - as horas mudam na Primavera, e no Outono também, porque as coisas grandes das espécies totais sabem que há sempre um ou outro ajuste por fazer.
Hoje não me apetece cair. Descalça ainda, e com uma ou outra vértebra a mais, tombo para o céu como seria previsto mas não rastejo de tornozelos cambaleados - amanhã farei as coisas banais de andar por aí com noção do tamanho dos lugares que calço.

Atraso o relógio e desligo o alarme.
Tenho 20 minutos mais a vida inteira para as frases todas das folhas todas do mundo todo que é meu.
*Mó
23.05.06
Quero fazer dos meus dedos peregrinos de um pleonasmo de vidas banais e habituar-me à ideia de ficar descalça sem ver o sol a nascer.
As vontades também são contagens decrescentes no relógio dos encantos, como são sempre segundos finais todos aqueles que antecedem uma vida eterna. Tudo em contra-relógio, menos eu, que vou tendo só 28 minutos para dizer o que penso sem sentir o que digo.
Magoa-me. Magoa-me muito não ter pêndulos na alma, como quem tem relógios nos pulsos.
Descalça, o chão é mais quente e as mãos mais pesadas, a gravidade é membro de paz e viaja em mim como se fosse ela mesma uma peregrina do que devo ser. Do que não sou.
Perco-me pelos caminhos e páro em portagens com retornos em contra-mão - regresso quase sempre e trago às costas mais vértebras que, ao fazerem com que eu cresça também destroem o equilíbrio vertical da minha postura inicial. Vou tombando, mas debruçada para trás, até ficar em ponte, virada para cima e de olhos abertos, para depois, no fim dos voos todos, descansar deitada e de olhos fechados.
Fico realmente chateada quando me acontecem desiquilíbrios assim. Tenho pouco menos de 25 minutos para preencher as linhas que me faltam e já existiu o meu "grand final" no parágrafo anterior. Não meço o tamanho dos espaços antes de trepar aos seus limites e depois canso-me...páro, recomeço e acabo por não chegar a lado nenhum - caminhar é o lugar final.
Mais dois ou três vocábulos, mais uma ou duas linhas e volta tudo ao normal - as horas mudam na Primavera, e no Outono também, porque as coisas grandes das espécies totais sabem que há sempre um ou outro ajuste por fazer.
Hoje não me apetece cair. Descalça ainda, e com uma ou outra vértebra a mais, tombo para o céu como seria previsto mas não rastejo de tornozelos cambaleados - amanhã farei as coisas banais de andar por aí com noção do tamanho dos lugares que calço.

Atraso o relógio e desligo o alarme.
Tenho 20 minutos mais a vida inteira para as frases todas das folhas todas do mundo todo que é meu.
*Mó
23.05.06
sábado, maio 20, 2006
quarta-feira, maio 17, 2006
Não sei...
Não sei se te encontrei.
Se te procurei, não sei.
Não sei se me esbarrei
no que de ti não inventei.
Não sei
se te escolhi.
Ou como foi que te vi.
Não sei
se me escondi.
Se me espelhei,
não sei.
Nem sei se foi por ti
que chamei.
Ou se me encontraste,
não sei.
Se foi em mim
que esbarraste,
não sei também.
Não sei
se a vida tem
o que é de ninguém...
Se me tem
se te tem
se nos tem.
Só sei
que o que não sei
é o que quero saber mais além.
(que esta história é tua,
e minha
e nossa também).
*Mó
17.05.06
Se te procurei, não sei.
Não sei se me esbarrei
no que de ti não inventei.
Não sei
se te escolhi.
Ou como foi que te vi.
Não sei
se me escondi.
Se me espelhei,
não sei.
Nem sei se foi por ti
que chamei.
Ou se me encontraste,
não sei.
Se foi em mim
que esbarraste,
não sei também.
Não sei
se a vida tem
o que é de ninguém...
Se me tem
se te tem
se nos tem.
Só sei
que o que não sei
é o que quero saber mais além.
(que esta história é tua,
e minha
e nossa também).
*Mó
17.05.06
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